terça-feira, 28 de agosto de 2012

Saber viver é saber a hora de colocar o barco no mar!


E você nem imagina...








Olha, eu achei que já nem era mais capaz...Que dentro de mim tudo estava acabado e não havia mais espaço ou condição. Por que havia sido um longo caminho aquele o de recompor  o contorno do meu coração já tão machucado. Mas então você veio e me abraçou e foi um daqueles abraços quentes, ternos e delicados e você me beijo sem pressa, sem drama, sem jogos ou cenas e tocou meu coraçao lá no fundo. Sabe, eu pude sentir meus medos se derreterem em tuas mãos e você nem imagina tudo isso, não é mesmo? Nem imagina de como você realmente tem me feito bem. Do jeito simples, natural e inesperado. Teus beijos tem sido a minha cura, teu amor, um recomeço e você nem imagina.  





Andréa Beheregaray






sábado, 25 de agosto de 2012

O avesso do amor - trechos.






Você esteve comigo hoje em todos os meus gestos, a cada movimento meu pude sentir você aqui, dentro de mim. Laguna, lacunas e frestas no suor do teu abraço. O inviável faz laço e me puxa para perto de ti mais uma vez. Pegos de surpresa pelo desejo que devora sem saber, percorremos distâncias para voltar a encontrar no mesmo lugar. Reflexo no espelho do nosso estranho amor. Amor sapiência. Tua língua afiada, invade minha boca com essa sede tão antiga. Somos silêncio e sabedoria, urgência e saudade, encontro e poesia. Tua casa tão distante e teu sorriso cheio de promessas impossíveis. Meus olhos de mistérios e nossa brincadeira de ser segredo e ausência. O casal mais bonito, o que fomos, ecoa no escuro do quarto. Estou em você e você está em mim. 




Andréa Beheregaray

Discutindo a relação com Gabito Nunes!


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Dias de luta - do que é viver.





Engolfados pelas tormentas da vida, em meio a batalhas ferozes, em que aos poucos corremos o risco de nos perdermos ou definitivamente nos encontramos, nos perguntamos: afinal em nome do que lutamos? A vida é uma grande aposta. Vamos à luta por motivações que desconhecemos. Encontramos a vitória quando descobrimos os motivos que nos movem. Alguns lutam em nome do amor, em nome da liberdade, em nome da fé, em nome de justiça. Outros lutam por motivos menos nobres, mas todos se encontram na mesma arena.

Muitas vezes batalhas são desencadeadas em nome de uma ilusão. E então, com a espada apontada, descobrimos que não, que aquilo pelo qual lutávamos não passou de um engano. E quando isso acontecer o único bálsamo para dor será a certeza que lutamos conduzidos pelo coração. Freqüentemente nos enganamos, não temos como antever ou ter garantias sobre o resultado de nossas escolhas. 
  
Que os enganos possam ser perdoados quando forem pautados pela verdade. Que todo aquele que luta em nome de si mesmo pague o preço de seu egoismo com a solidão. Que seja merecedor da vitória apenas aquele que sobreviver ao preço das consequências de suas escolhas. Que a honra nos conduza, que a força nos sustente.


Da série,
Palas Atenas

Eu e Pedro - Diários Revelados







Quando a chuva apertou lembrei de Pedro. Eu e o Pedro nos usávamos. Ele estava na fossa, na solidão, afundado como eu. Pedro é um daqueles homens que não sabe amar, apesar de parecer saber. Nos procurávamos pouco, às vezes no meio da semana ele ligava, na outra semana quem ligava era eu, ríamos, jogávamos charme,  prometíamos nos ver, mas não nos víamos. Era como se disséssemos, sem dizer, que só queríamos ter certeza que o outro estaria ali caso a solidão começasse a doer demais. Esse pequeno engano, como eu gostava de chamar nosso encontro, interrompia a sensação de desamparo que atravessava os dias. Ele estava lá para mim, mesmo que não estivesse de verdade; eu estava lá para ele, mesmo que nunca tenha estado. Devorando um ao outro, íamos disfarçando a fome.



domingo, 19 de agosto de 2012

Estradas solitárias.



 


"Aqueles que se permitem transgressões da alma com certeza são vistos e recebidos pelos outros como estrangeiros. Os que mudam de emprego radicalmente, os que refazem relações amorosas, os que abandonam vícios, os que perdem medos, o que se libertam e os que rompem experimentam a solidão que só pode ser quebrada por outro que conheça essas experiências. A natureza da experiência pode ser totalmente distinta, mas eles se tornarão parceiros enquanto 'forasteiros'."




A Alma Imoral 
Nilton Bonder.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cura para insônia.





"Virava pra lá e pra cá na cama. Estava impaciente. 
Até me sentei no escuro. 
Pensei: Não era uma posição o que eu procurava. Era você…”




Caio Fernando Abreu

sábado, 11 de agosto de 2012

O que é ser pai?










O que é ser pai? É ficar com os filhos nas horas vagas ou quando sobra tempo? É dar presentes para desculpar os erros, as faltas e a ausência? É saber o colégio do filho, mas não saber a série, nem se tem cadernos ou colegas ou necessidades? É pagar pensão com raiva da mãe (aquela vagabunda está gastando meu dinheiro na noite)? É descontar a raiva da perda do amor da mãe nos próprios filhos? Ser pai é brigar num processo longo e doloroso para provar que é realmente pobre? Ser pai é usar dinheiro para comprar a raiva dos filhos? Será que a paternidade, em tempos de separações tão frequentes, significa cumprir os horários das visitas determinadas por juízes e advogados? Ser pai é ser ex-marido do filho?

Amanhã será o dia dos pais.

Portanto, todos – os nunca casados, os ainda casados e os descasados, os felizes e os infelizes de toda ordem – terão mais uma oportunidade.

Ser pai é ser amigo do filho, como se é amigo do parceiro de futebol, do amigo de infância, do amigo do colégio ou da faculdade, do amigo do escritório, enfim, há homens que colecionam dezenas de amigos, mas não conseguem entender que o filho precisa sentir-se querido, que necessita das trocas, das conversas, poder ser parceiro na hora da angústia do pai e contar com o pai para as próprias dores. É necessário, indispensável, inadiável que um pai veja seu filho como o melhor de todos os amigos e que saiba ser amigo também.

Ser pai e ser lei. Amizade e companheirismo, não retiram do pai a necessidade de ser a dureza do não na hora certa. Pai amiguinho não. Pai amigo. Amigo que diga o que deve ser dito, que faça o que deve ser feito, que não acoberte e não seja passivo diante do erro. Pai que castiga como amigo, dizendo as coisas que devem ser ditas, sem machucar, sem mutilar, sem castigar. Pai que educa como quem aprende e que aprende enquanto educa.

Ser pai é ser exemplo. Amizade para acolher e firmeza para dizer o não do amor. Mas não basta. Um dos pecados mais graves que um pai pode cometer é viver em contradição. Pensar, falar e agir. Pais são seres constantemente observados por seus filhos. Portanto, saiba errar tanto quanto acertar, perder tanto quanto vencer, sonhar tanto quanto lutar, viver tanto quanto morrer. Filhos enxergam tudo. Não adianta tentar esconder, mentir, falsear, corromper, iludir. Seja verdadeiro com seu filho, custe o que custar.

Ser pai é ser humano. Se você é um crápula como pai, saiba que seu filho poderá ser um grande cara. Portanto, não pense que sua perversidade terá efeito automático na vida de seu filho. Não, ele pode salvar-se por suas próprias forças. Se você é um pai que ama seu filho, fique calmo, tudo tem solução nesta vida para quem faz as coisas com amor. Os filhos sentem tudo. Ele sentirá o seu amor, mesmo que você esteja fazendo tudo errado. Ame seu filho, sem condição, sem mas, sem preço, sem plano, sem procedimento. Ame com toda a força do seu coração, porque, assim, em todos os momentos, seu filho saberá que tem um amigo, que a lei existe para que ele tome boas decisões, que você o exemplo de pai que ele admira, que você é o pai-humano que ele um dia ficará honrado de poder ser!

Felicidades a todos!
 

Jader Marques.
JM

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Carta de adeus para um idota.



Querido R.
(apelido amoroso - Cabeça de Ovo).




Olha, quando você realmente se foi, quando a coisa acabou e vi nosso amor desacontecer, eu quase sofri. E digo quase porque sempre soube que nossa história estava fadada ao fracasso. Não porque isso era óbvio para todos que tinham olhos de ver e ouvidos de ouvir, não só por isso, ou pela infinita diferença que nos separa tão clara, tão grande. Eu digo quase sofri porque o tempo todo ao seu lado eu morria um pouco, e ressurgia outra do lado de cá. Mas eu falo no quase, não por ter sido um quase amor, porque não foi, foi amor dos bons, quente e lindo como eu esperava, eu digo quase sofri porque sabia que não era pra ser um tanto mais, porque um tanto mais me aguardava. 

Você entende? Alguma coisa aqui dentro sabia que não era possível, porque logo depois viria algo melhor, algo maior, algo mais doce, mais fundo, mais intenso, mais verdadeiro. Algo de inconfessável, algo de inacreditável. Então eu quase sofri você entende? De forma egoísta te considerei uma espécie de preparação, uma espécie de adubo pra ver algo belo crescer, que não era você. Não, não estou te chamando de merda, mas também poderia, então te chamo de base, a primeira demão dessa parede bacana que tenho pintado.

Mas você foi absolutamente necessário, entende? Eu sei que pareço egoísta, mas não sou. Ou sou se você quiser, porque agora, realmente já não importa. Porque sabe, em nenhum momento eu acreditei nas suas mentiras. Mentira, em algumas eu acreditei, mas por momentos tão breves, bom, você sabe, você mente mal, mas você mente tanto que cria, praticamente uma realidade paralela e causa aquela estranha impressão de que alguém é louco na história. Tem tom de esquizofrenia, de fantasia, de alegoria. Mas no fim das contas a coisa mesma não passa de sacanagem. Daquelas boas e velhas. E eu? Sim eu sempre soube, mas foi uma situação absolutamente necessária para mim. Assim, simples e rasa, mas essencial e reveladora.


Não, porque nem todas as situações transformadoras são resultado de revelações luminosas e profundas, às vezes um pilantra e um belo pé na bunda podem fazer milagres para uma mulher inteligente. E você teve essa função. O tempo todo eu sabia que nada daquilo seria e que depois de você algo muito bom aconteceria.


Essa mania que inventei de confiar no que não vejo, mas sinto que o vento traz. E eu sabia que entre nós dois a coisa sempre foi uma espécie de preparação. E hoje eu só posso agradecer, não sei bem a quem, ao que, enfim, mas o que veio depois de você é tão, tão...? 


Difícil dizer, daquele tipo de coisa que não encontramos palavra exata. Alguma coisa entre o mistério e o sublime, entre o muito e o simples entre tantas coisas que você não entenderia. Foi por isso que quase sofri, porque desde sempre percebi que, fundamentalmente, o que nos separava e sempre foi abismo entre nós é uma questão de força e coragem. A mediocridade sempre fez com que você nunca partisse, mas também nunca viesse. Sua casa foi construída sobre um muro. Mas agora preciso te dizer adeus e te agradecer por ter sido tão miserável, só assim estou tendo hoje o que tenho. Você me preparou para esse novo amor. Mágico.


Obrigada.


Adeus 
Sofia
(apelido amoroso, Josephine.)


Da série 
Cabeça de Ovo
Andréa Beheregaray

Maria Rita - Trajetória




Desejo que você tenha ao que desejar...



 A insatisfação constitui o desejo. 
Dos desejos nascem os sonhos e o sentido de vida. 
Infeliz daquele que realiza todos os seus desejos, 
pois será condenado ao vazio e ao nada.

Andréa Beheregaray


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Saudade






Saudade é o coração da gente batendo em outro lugar.

Saudade é quando a alma foi morar na memória.

Saudade é o passado insistindo em viver no presente.

Saudade é um vento leve bagunçando os sentimentos.

Saudade é um detalhe inesperado que traz de volta o amor.

Saudade é ausência que virou presença dentro da gente.

Saudade dói mas faz lembrar que, se ela existe, é por que a vida valeu a pena.


Andréa Beheregaray

domingo, 5 de agosto de 2012

Diários revelados.







Um grito de dor. Amanheci o dia. Você me perguntou por que escrevo este diário. Respondo, por desespero. Escrever tornou-se vital. Escrevo para entender. Escrevo para decifrar a vida por que ela é tão maior que eu e a palavra é meu jeito de estar no mundo, de dar forma ao impossível. 
Vou invadir a noite escrevendo. Minha dor se transforma em palavra. Arranho as paredes dessa casa, transformo raspas em cor. Entranhas. Contraio-me em frases, silencio meus gritos. Ao escrever deixo que os vizinhos durmam, mantenho-me longe dos hospícios e das grades das prisões. Se de mim tirassem a possibilidade de transformar sentimento em palavra, enlouqueceria. Toda cena reconstituída em minúcias, imagens holográficas projetadas nas paredes do quarto, pinturas imaginárias desenhadas no chão. Escrever é viver outra vez. Possibilidade sagrada. Escrevo incessantemente num longo abraço de saudade. Há dias estou contigo e te beijo.      


Andréa Beheregaray
Diários Revelados.

sábado, 4 de agosto de 2012

Meu bem.






 Da série,
Canção sem som



Contando as horas
pra me ver livre 
dessa confusão

Contando os dias
pra sair
da contramão
dos sentimentos,
desse tormento
meu bem,
do meu lamento
do canto triste 
da solidão

Que amanhã
tem sol
eu sei
eu sinto
já posso ver

Que amanhã
tem sol
e eu não minto
meu bem,
se pode crêr
 
Que quando
a dor já tiver ido
e do meu peito
desistido
nem faço as malas
e vou sorrindo
saio cantado
eu vou a pé 

Que amanhã
tem sol
eu sei
eu sinto
e eu não minto,
meu bem
é só pagar pra ver


que amanhã tem sol
eu já to indo
por que eu sinto
que já é hora
de amanhecer.



Andréa Beheregaray

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A recompesa por sobreviver a TPM delas - Histórias curtas com pimenta.







 
Intimos, sem intimidade nenhuma, além daquela que escolheram ter até aquele dia.

_Que mensagem foi aquela? Virou criança agora?

_ Uma mensagem bem objetiva sobre o que penso de nós dois.

_ Pensa errado- disse sério.

_ Teu comportamento me diz que penso certo - respondeu tão séria quanto.

(silêncio).

_Pensei em te mandar pro inferno quando li aquilo - disse ele calmamente.

_ Não te dê ao trabalho, já faz algum tempo que tenho frequentado o inferno.

_ Mas ai reconsiderei, afinal tu é uma guria legal (e gostosa, pensou mas não disse) e anda cheia de problemas, então tentei olhar tua mensagem estúpida e infantil por esse lado - ela talvez fosse a mais problemática das mulheres com quem ele se envolvia nos últimos tempos, ele pensou, mas também não disse.

Silêncio prolongado. Ela seguiu dirigindo até o apartamento dele e foram direto para o quarto. Afinal, avaliou ela sem dizer, um homem que consegue suportar o inferno astral de uma mulher merece ser recompensado com o melhor do paraíso que só uma mulher de verdade pode oferecer.  
           


Andréa Beheregaray

Da série
 Histórias curtas com pimenta.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Dona Lógica e a Coerência.





A Coerência e a Dona Lógica são duas véinhas corocas que não sabem fazer poesia.




Andréa Beheregaray