sábado, 19 de fevereiro de 2011

Desejos.


Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências. Eu vou gostando, eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou, e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos. E vou dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uma vida toda para dentro.


É...sei que estou me tornando uma pessoa solitária e estranhíssima, com uma aparência socíável. Mas é só aparência. Gosto de pouquíssimas pessoas, tumulto demais me perturba, barulho em excesso me perturba, gente falando, burburinho e papo furado me irritam.
Estou apaixonada pelo silêncio e pelo vazio. Não vejo saída e nem retorno. Não desejo isso também.
Viver na cidade, para mim, é sofrido. Congestionamentos, buzinas, asfalto e fumaças me fazem sofrer tremendamente. Não gosto de falar ao telefone, não uso relógio e quase nunca sei o dia do mês. A maternidade é o único motivo, meu único laço com a realidade, não fosse ela, não sei ao certo o que seria de mim.
Eu disse, estou me tornando uma pessoa estranhíssima, solitária, mas tenho estado bastante satisfeita.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O dia em que Caio F conheceu Clarice Lispector.





A Hilda Hilst
PA, 29.12.70




Hildinha, a carta para você já estava escrita, mas aconteceu agora de noite um negócio tão genial que vou escrever mais um pouco. Depois que escrevi para você fui ler o jornal de hoje: havia uma notícia dizendo que Clarice Lispector estaria autografando seus livros numa televisão, à noite. Jantei e saí ventando. Cheguei lá timidíssimo, lógico. Vi uma mulher linda e estranhíssima num canto, toda de preto, com um clima de tristeza e santidade ao mesmo tempo, absolutamente incrível. Era ela. Me aproximei, dei os livros para ela autografar e entreguei o meu Inventário. Ia saindo quando um dos escritores vagamente bichona que paparicava em torno dela inventou de me conhecer e apresentar. Ela sorriu novamente e eu fiquei por ali olhando. De repente fiquei supernervoso e sai para o corredor. Ia indo embora quando (veja que GLÓRIA) ela saiu na porta e me chamou: – “Fica comigo.” Fiquei. Conversamos um pouco. De repente ela me olhou e disse que me achava muito bonito, parecido com Cristo. Tive 33 orgasmos consecutivos. Depois falamos sobre Nélida (que está nos States) e você. Falei que havia recebido teu livro hoje, e ela disse que tinha muita vontade de ler, porque a Nélida havia falado entusiasticamente sobre Lázaro. Aí, como eu tinha aquele outro exemplar que você me mandou na bolsa, resolvi dar a ela. Disse que vai ler com carinho. Por fim me deu o endereço e telefone dela no Rio, pedindo que eu a procurasse agora quando for. Saí de lá meio bobo com tudo, ainda estou numa espécie de transe, acho que nem vou conseguir dormir.
Ela é demais estranha. Sua mão direita está toda queimada, ficaram apenas dois pedaços do médio e do indicador, os outros não têm unhas. Uma coisa dolorosa. Tem manchas de queimadura por todo o corpo, menos no rosto, onde fez plástica. Perdeu todo o cabelo no incêndio: usa uma peruca de um loiro escuro. Ela é exatamente como os seus livros: transmite uma sensação estranha, de uma sabedoria e uma amargura impressionantes. É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa.

É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto. Acho que mesmo que ela não fosse Clarice Lispector eu sentiria a mesma coisa. Por incrível que pareça, voltei de lá com febre e taquicardia. Vê que estranho. Sinto que as coisas vão mudar radicalmente para mim – teu livro e Clarice Lispector num mesmo dia são, fora de dúvida, um presságio.



Fico por aqui, já é muito tarde. Um grande beijo do teu

Caio

O que tem que ser, tem muita força.


“E tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver – e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que “o que tem de ser, tem muita força”. A gente não tem é que se assustar com as distâncias e os afastamentos que pintam.”



Caio F. Abreu

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mulher Avião- poemas caipiras.


Instruções de bordo:
_
Amar mulher avião
é garantia de emoção
_
Pode ser suave
ou turbulência
isso depende
de sua decência.
_
Vou tranquilo
ou assustado?
Quem escolhe
é o namorado.
_
Primeira classe
ou bagageiro?
Onde quer ir o companheiro?
_
Para amar mulher avião
tem que ter bom coração
_
Beijos que levam
até as nuvens
maus modos
colocam em rota de colisão
_
Máscara de oxigênio
cinto de segurança
e ameaça de explosão
Não é fácil amar uma mulher avião
_
Para as turbinas
não desligarem
basta apenas
dar muito amor
_
E se isso acontecer
tenho certeza que você
não vai se arrepender
e jamais vai esquecer
_
Pura vertigem,
falta de ar
amor que te faz
viajar
_
Não é viagem para qualquer um
só embarcam os corajosos
e só eles descobrem
que voou assim vale a pena.
_
Quem se arrisca?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Salto agulha.




Agora não da mesmo pra ser feliz, é impossível. Mas quem disse que a gente precisa ser sempre feliz ? Isso é bobagem. Como Vinícius cantou "é melhor viver do que ser feliz". Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, doi demaais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Erro comum.


Será que as pessoas mudam de comportamento porque se sentem seguras do afeto que o outro sente?

Sincronicidade.




"Só preciso de alguns abraços queridos, a companhia suave, bate-papos que me façam sorrir, algum nível de embriaguez e a sincronicidade."

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Filme 2046 - Segredos do amor.


Venha comigo. Continuei a perguntar. Mas ela jamais respondeu.Comecei a imaginar desculpas para o seu silêncio. O desespero cresceu em mim.O motivo por que ela não me respondia (…) Somente porque não me amava.Assim finalmente eu descobri isso. E isto estava completamente fora de meu controle.A única coisa que me restava, era desistir.




Salva-vidas




Sofia disse que estava cansada, que precisava dormir naquela noite que já ia alta, quase fazendo a curva do dia. Seu cansaço era outro, bem sabia, não do corpo, mas da alma.


_ Preciso dormir...e você sabe, amanhã vai ter sol na minha janela outra vez. E o sol, ter força para nascer todo dia, deve ser um bom sinal. Quem sabe ele seque essa tristeza que tem afogado meu coração. E além do sol também existem os "salva-vidas". Estou precisando muito que alguém me salve vida, faça um carinho em meus cabelos e me dê um pouco de ar. Quem sabe não é um desses meninos? Eles são treinados para isso, afinal. Salvar pessoas que se afogam. E eu estou afogada já faz muito anos.



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Árthemis e Atena, o feminismo e o Big Brother, mulheres burras e homens bons.



É, decididamente, acho que estou me tornando uma feminista. E apesar de não compreender a extensão dessa palavra, intuo que sim, estou me tornando uma grande feminista.
Atena é o arquétipo que me rege, conhece o mito da grande deusa virgem, protetora dos guerreiros, aquela que carrega a Medusa em seu escudo para que ninguém dela se aproxime?

Não conhece? Paciência, vá estudar porque não estou com vontade de explicar.
Mas quero te dizer que Árthemis é a deusa do feminino, do feminismo. Rege as Amazonas, grupo de mulheres guerreiras, que escolheram viver sem os homens em sua comunidade, a não ser para fins de procriação. As Amazonas cortavam um dos seios para poder lançar suas flechas de forma certeira. O arquétipo de Árthemis é aquele que rege e apóia as mulheres. Já Atena, apesar de muitas semelhanças com Árthemis, é uma deusa que apóia o masculino e se posiciona ao lado dos homens, evitando as mulheres.
Aos olhos de Atena, as mulheres são chatíssimas, aos olhos de Árthemis, são interessantíssimas.

Bom, já faz algum tempo que desconfio que essas deusas tem disputado minha cabeça, e meu coração ( o corpo também). O que me gera muitos conflitos, mas me traz algum equilíbrio. Passei a admirar mais as mulheres - muito - acho as mulheres seres sensacionais! Além de lindas.

Todos aqui já conhecem minha opinião sobre o corpo feminino e o masculino. Sabem que acho o homem pelado o retrato da desgraça, eles e seus "pinduricalhos" que mais parecem pele de tromba de elefante. E, para piorar, não podem usar saias para ventilar suas "coisas", o que torna o lugar úmido, incômodo e com cheiro de carne temperada com vinagre.
Bom, mas voltando, percebe-se que sou uma mulher revoltada? Antes que alguma garota sensível e invejosa, dessas que "denunciaram" meu blog por ter conteúdo impróprio (aliás, te pergunto: se é impróprio e não gostas, o que fazes aqui?).

Voltando. Sim, sou revoltada e agora FEMINISTA. Meu ex e querido professor Armani, me disse que eu lhe lembro o " O homem revoltado" de Albert Camus. O que entendo como um elogio, vai que ele me compare aquele outro personagem, que a mãe morre e ele nem tchun, não sofre nada e nem sente culpa? O do " O estrangeiro". Não li o "Estrangeiro", mas devorei "A queda", divino, diga-se.

Mas, mais uma vez, voltando. Dai Árthemis me ensinou a ter uma enorme admiração pelas mulheres, e a achar os homens meio tolos. Não todos, claro. Homem quando dá para ser bom, é ótimo. Para isso ele precisa ter em si, inteligência, uma dose de melancolia, sensibilidade e coragem.

Veja, sei que é uma receita dificil. Os inteligentes sem sensibilidade, não passam de calhordas. Os sensíveis com muita melancolia, deprimem. Os inteligentes, melancólicos e sensíveis sem coragem, estudam e guardam um temor secreto da vida. Não se lançam, amam médio para não desestabilizar, mas eu os compreendo, e admiro. Os que parecem ser tudo isso? Estão mentindo, provavelmente. Os demais? A grande maioria que não tem quase nenhum desses itens? São bons trabalhadores e pais de família. Acho hostil minha visão dos homens? Problema seu.

As mulheres são sensíveis, no geral. Guerreiras, no geral, mães, batalhadoras. Melancólicas mas na luta. Coragem e beleza definem bem as mulheres. Inteligência, nem todas. O grande e grave problema das mulheres é esse enorme desejo de amar e ser amada. Grande, por que é insaciável e levamos ele ao túmulo, por mais que nos disfarcemos de mulheres bem resolvidas e com foco na carreira,. Grave por que isso torna a mulher burra. Suscetível a qualquer palavra de malandro. Um lindinha, uma querida, um, estou confuso e penso muito em você e pronto, lá está a mulher caindo na armadilha do sujeito.

Meninas, de uma vez por todas, homem quando quer, vem e fica com você, sem desculpas, sem rodeios. Se ele não veio é por que ele não te quer, e pronto. Não invente desculpas para si mesma, achando que ele é confuso, que te ama, mas tem medo de se envolver, e blá,blá,blá. Por que se ele se relaciona com outras mulheres, namora, casa, etc e com você não, é por que o problema é você e não as dúvidas dele. É uma merda? É, mas paciência, a vida não é aquele filme romântico que você viu na TV, então pare de perder seu tempo com ele e olhe para os lados, apesar de raros, existem homens legais por ai.
E tudo isso, só por que estava assistindo BBB11 ( sim, vez ou outra eu assisto sim) e rolou uma situação que me deixou louca. Álias, nunca tinha pirado assistindo BBB, mas dessa vez fiquei puta.

Pra quem não sabe, a guria estava ficando com o cara, o tal de Mau Mau, ele saiu, foi eliminado, e ela começou a se engraçar para o cara novo que entrou, o Wesley (um gato, diga-se, igual ao Volverine). Não ficou com o Volverine-gatão e dai o excluído, Mau Mau voltou e ficou furioso cobrando da guria "postura" e um tipo estranho de fidelidade - estranho por que eles estavam ficando e só, e ele não estava nem ai pra ela, saiu e mal deu tchau. E voltou e ficou botando banca de traído.

Bom, os homens "crucificaram" o gata e seu comportamente "promíscuo". Quem mais crucificou e discursou foi, inclusive, o cara mais promíscuo da casa - que fica se esfregando em todo mundo desde o primeiro dia. Quem conhece projeção sabe que ela é uma droga, é sempre assim, acusamos lá no outro o que fazemos ou morremos de vontade de fazer.
Dai, o Bial entra no ar para dizer que o cara, assim que saiu, disse que não tinha nenhum compromisso com a gata e que ia deixar a vida lhe levar.

Quer a tradução? É assim : eu sou feio pra C* sempre tive que batalhar muito uma mulher e agora que sai do BBB quero pegar GERAL, que se dane a MARIA. Vou deixar a vida me levar, e as mulheres também!

Até ai nada demais, desde que ele não voltasse para casa cobrando da mulher postura que ele não teve. E com o apoio dos outros homens, moralistas e machistas. BANDO DE PALHAÇOS!!

Ai, é isso, e ai, você ainda suspeita que eu esteja me tornando uma feminista?
Daquelas que eu sempre critiquei, ou seja, sem lógica alguma, e que se manifestam com o útero, cego e apaixonado.

Um beijo para as meninas, diz a Árthemis. Atena completa: para as meninas sim, para as meninas BURRAS não. E um beijo para os meninos, diz Atena. Árthemis completa, tirando às exceções, os meninos deveriam ser colocados em cativeiros, disponíveis apenas para o trabalho, que procriação com homem médio não dá;

Aiai, aliviei.

Andréa Beheregaray

Porque é verão.


Mas quase nem doeu, meses seguintes, pois veio a primavera e trouxe tantos roxos e amarelos para a copa dos jacarandás, tantos reflexos azuis e prata e ouro na superfície das águas do rio, tanto movimento nas caras das pessoas com suas deliciosas histórias de vivas desimportâncias, e formas pelas nuvens nas sombras do jardim pela tardinha. (…)


E principalmente manhãs, que não eram de agosto, mas de setembro e depois outubro e assim por diante até janeiro do novo ano que, em agosto, nem se atrevera a supor. Estou forte, descobriu certo dia, . Porque não morri, porque é verão e eu quero ver, rever, transver, milver tudo que não vi.”

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A pessoa certa.


_Devo estar perdendo minha fé na humanidade.


_Pode ser mais específica para mim?


_Eu só me pergunto se duas pessoas podem ficar juntas para sempre.


_Tipo, casais?


_Sim, tipo pessoas apaixonadas.(…)


_Eu preciso saber se é possível duas pessoas ficarem juntas para sempre.


_Não é fácil, com certeza.(…)Olhe, na minha opinião… o melhor a se fazer é achar alguém que a ama pelo que você é. De bom humor, mau humor. Bonita, feia. Bonito, o que for. A pessoa certa continuará vendo raios de sol saindo da sua bunda. Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.



Do Filme, Juno.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O mundo de Sophia.




Sophia ficava perdida sempre que alguma coisa vinha acordar esperanças adormecidas. Esse era seu perigo maior, voltar a acreditar na idéia de amor, de grande amor.

Havia demorado tanto tempo, tinha sido um longo processo aquele, o de desacreditar.
Começou cedo, ainda mocinha, no pátio da escola quando os meninos vinham levantar as saias das meninas. Curiosos, num tempo de impedimentos e surpresas. Nunca levantaram a saia de Sophia. Ela era rude demais, esperta demais, rápida demais para que eles, os meninos, quisessem levantar sua saia.
Talvez o rosto de Sophia fosse hostil ou ela inspirava respeito e distância. Sophia nunca soube. O fato é que os meninos nunca vieram, e ela viu, dos bancos escolares, as outras meninas se tornarem alvo do desejo daqueles garotos.
Ainda pequena, Sophia desconfio não possuir a delicadeza necessária, tão comum as coleguinhas, para estar em uma posição vulnerável o suficiente ao ataque dos meninos. Nunca esteve. Sophia sempre-alerta, sabia se defender como ninguém. Defesa era o sobrenome de Sophia.
Talvez os meninos não ousassem por terem percebido que a menina não corava. Não seria capaz de corar apenas, quando sua saia fosse levantada. Sophia tinha o hábito de revidar, desde pequena. Eles sabiam que, caso tentassem, ela revidaria cruelmente - simulando indignação. Apesar da cena ultrajante, Sophia desejava aquela violação.
Os meninos não ousaram. Ela também não. Não ousou demonstrar seu desejo, por vaidade. E guardar seu desejo em silêncio foi um habito que Sophia nunca abandonou.

Rainha do mar.


Ontem foi dia de Iemanjá.
Resolvi evitar o mar.
Nem caminhar na beira da praia eu fui.
Fiquei com medo.
Que ela me confundisse com um despacho.
E resolvesse me levar
para o fundo do mar.
*
*
*

Perdão.


Respirou fundo, lento, sete vezes perdoando o outro


Caio F. Abreu

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os pecados de Sofia



*
*
Portadora de projeções
fantasias e desejos
alheios
*
Já ganhei inimigas
por homens que nunca
desejei
*
Já fui subestimada
por sensualiade
não rimar com pensamento
*
Não pedirei perdão
a ninguém por ser
o que sou, ou o que fantasiam que sou
*
Viro a página
pulo o muro
desenho a linha do limite
onde achar melhor
*
Nunca desejei agradar ninguém
Nem me importei
com o que pensam de mim
*
A expectativa alheia
é sempre uma prisão
da qual você nunca saíra vivo
*
Aquele que cuida da vida
dos outros é sempre o infeliz
que não tem o que cuidar na sua vida
*
Sempre me atribuiram
mais pecados do que realmente
cometi
*
Mais amores do que realmente
vivi
*
Não que eu despreze a opinião alheia
Eu simplesmente não me importo
eu realmente não me importo
*
As pessoas tentam me adivinhar
não deveriam
Eu tento isso já faz muitos anos
e muito pouco descobri de mim
*
Desde pequena é assim
eu sempre levei a culpa
pelas travessuras dos outros
*
Da irmão, do primo, dos amigos.
*
E isso me ensinou muito cedo
de como os adultos são tolos
e fáceis de se enganar
*
Eu nunca rebati uma acusação
mais de uma vez
nem levantava a voz
*
Não fui eu, e ponto.
Se você quer, e precisa acreditar nisso
não sou eu que tentarei te convencer
*
Muito cedo aprendi
que as pessoas fazem qualquer coisa
para dar um jeito de se livrar da culpa
*
e se enganar sobre a mediocridade
de suas vidas
mornas
*
Mas eu nunca me importei
*
Minha alma transgressora
nunca almejou o paraíso
*
muito menos agradar você

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Opinião do leitor - TPM.


Sensibilidade.


Andréa, parabéns pelo livro . Me impressionou por demais a leveza e naturalidade com que abordas o cotidiano do indivíduo. Consegues valorizar detalhes e nuances de sentimentos, que não nos apercebemos e, que fazem toda a diferença, ou seja, é na realidade, o principal desencadeador de muitas definições referente a at...itudes. A fluência e sensibilidade que tratas cada tópico de teu livro, faz com que resgatemos, sentimento pouco valorizados e esquecidos neste mundão, ou em algum canto de nós. Através destes meros detalhes, mas, altamente enriquecedores, que nos coloca diante de descobertas e compreensão de inúmeras reações sob todos os sentidos. Isto é, um descortinamento muito lúcido de nosso alheamento. Um beijão! Amei tua obra.....


MARIA DA GRAÇA BRANDÃO VARGAS

Opinião do Leitor - TPM

Eu acho muito interessante conhecer a opinião do leitor sobre o livro. O olhar do outro sobre o meu olhar para o mundo. Estou tão habituada comigo e ando tão isolada, que desconheço o impacto do que penso. Realmente sou muito inconsciente da minha escrita. A opinião de quem me conhece é diferente dos leitores que tem apenas o registro do texto no livro, assim como masculina diverge da feminina. Muito interessante. Inauguro hoje o espaço "Opinião do leitor". E, desde já, obrigada aqueles que entram em contato.






"E uma esplêndida manifestação de uma mulher com uma inteligência superior em que não passa nada em branco a respeito principalmente do comportamento humano do gênero masculino. Lição numero 1 tudo o que eu imaginava que uma mulher pudesse não saber sobre mim jaz por terra. As demais lições aprendidas virão em doses homeopáticas. Parabéns você realmente deve fazer jus ao texto do Fabio Fabrício que prefácia teu livro. Obrigado"

Mauro Arantes.


Alice no país das armadilhas.


"Seria tão bom se alguma coisa fizesse sentido, pra variar.”


Alice no País das Maravilhas
*