quinta-feira, 29 de abril de 2010

Albano - Buquê de palavras.




Cada palavra uma flor,
teus escritos?
Um buquê.


Nascem flores dos teus dedos.
Flores coloridas.
Um lindo buquê de palavras, foi o que ganhei de você.

Obrigada.

Buraco negro


O buraco negro é uma estrela escura que consome energia e não produz luz.
Diferente das estrelas iluminadas, buraco negro passa por um processo catastrófico e não consegue atingir o equilíbrio, vira então um anel de rotação e dele nem a luz consegue escapar
O buraco negro, essa estrela que explodiu, suga tudo que dela se aproximar.
E eu tenho uma grande dúvida, suga e onde tudo vai parar?
Mas a maior dúvida que tenho é de que lado do buraco a humanidade está.
O lado que a estrela negra não sugou, guarda a ordem, o concreto, a luz e tudo aquilo que ainda não se fragmentou. Aquilo que ela consumiu é o fragmento, o escuro e o vazio.

Mas hoje já não estou bem certa de que lado do buraco eu vivo. Tenho sido vítima de uma grande confusão, acho mesmo que a humanidade é fragmento flutuando na escuridão.
Somos filhos do buraco, aquele que Alice caiu, no mundo que vivo está tudo ao contrário e até mesmo o sentido fugiu.
Talvez só os loucos percebam toda essa confusão, de que somos restos sugados, pó vagando na escuridão.
De que lado do buraco estamos?
Eu realmente não sei dizer,
e quanto mais suga o buraco, mais difícil fica entender.
E nesses tempos confusos, de muita incompreensão, não perca tempo pensando no escapa a razão.
Para sobreviver ao buraco, seja de que lado for, você vai descobrir que sentido mesmo se encontra no amor. O resto é pó.

terça-feira, 27 de abril de 2010

SENSACIONAL!!!












CARTA FUNDAMENTAL AO POETINHA

Vinícius, poetinha da pesada,
cogistaste o eco dos teus versos?
Poetinha, meu distinto camarada,
é mesmo fundamental a beleza?
Viste que monstruosa cagada?
Permita reparar essa tristeza.
Não por humanidade às feias, não.
Ainda que aqui e agora,
a coisa é que ande feia.
Não sei se vês daí,
a vitrine que se transformou a beleza.
A prisão dos corpos a quese trancafiaram as belas.
Em que são elas mesmas,
suas próprias sentinelas.
Poetinha ai do céu,
são prisões coletivas,
com poucas chaves de saída.
Difícil de explicar pelo papel.


Mas não poetinha!
Não sou eu a julgar teus adágios.
Não há pretensão tamanha.
A coisa, agora nesse estágio,
anda muito, muito estranha.
E tanto que a beleza antes rezada,
ficou no limbo, na encruzilhada.
Mesmo tu hoje não mais cantarias,
o pouquinho dessas siliconadas.
Louvaria as mulheres de trinta,
tão mulheres que andam.
E para que eu mesmo não te minta,
No mundo feminino,
as de trinta agora mandam.
*
*
*
Remeta-se ao céu no endereço de Vinícius de Moraes,
ouvi dizer que é além do monte olimpo.


DO BLOG DO PAULO http://entrehermes.blogspot.com/

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Não, não estou de acordo com Clarice...


"O pessimismo passou, mas o bom propósito não: farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz...
Também é bom porque em geral se pode ajudar muito mais as pessoas quando não se está cega de amor."


Clarice Lispector
A questão é não exigir, mas o mínimo também não dá. Amar é bom, amar exageradamente é colorido, intenso e dói. Mas doer dói sempre e como diz Marcel Proust "Aqueles que amam e os que são felizes não são os mesmos". Então aceitando a dimensão de sofrimento que todo grande amor comporta, e todo grande amor, só é bem grande se for triste, já disse Vinicius de Moraes.
Para se ter um grande amor é preciso pagar o preço do sofrimento. Quanto mais amamos, mais precisamos do outro e mais temos medo de perdêr o objeto amado. Amor, necessidade, temor andam juntos.
Então se é para amar, o mínimo está fora de questão. Não dá para exigir, e o peso é o susto natural. Um dia assustamos um dia somos assustados pelo que pesa no amor.
Mas é tão bom morrer de amor e continuar vivendo... (não nem tanto, hehe).

"(...) A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma."



Alice no país das maravilhas.


- Lewis Carroll

"E de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida"


Caio Fernando Abreu


Como quisiera poder vivir sin aire?

Como quisiera poder vivir sin agua?

Me encantaría quererte un poco menos

Como quisiera poder vivir sin ti?


Pero no puedo, siento que muero

Me estoy ahogando sin tu amor


Me encantaría robar tu corazón
Maná.

A outra ou outra.

Esses dias alguém me disse, que lhe disseram, que existe uma diferença enorme entre ser a Outra ou outra. Nunca tinha pensado nisso, mas é verdade. Assunto delicado pois em se tratando de amor a coisa é sempre complexa. Porque penso que as pessoas não escolhem a quem amar, podem apenas escolher o que fazer com isso. E ai que a coisa esquenta.

Ser a outra ou outra faz toda a diferença, não para o sujeito, mas para a amante. Se você é a outra o sofrimento não será opcional, ele vem com a relação. Qualquer relação tem sua carga de sofrimento, mas nesse caso é sofrimento de outro tipo, é um sofrimento de espera.

Uma mulher fica nesse lugar por diversos motivos, muitos deles desconhecidos, inconscientes. Já conheci algumas situações em que isso ocorria pois a amante em questão não conseguia bancar um relacionamento de verdade, e tinha profundo medo de se envolver, então nesses casos, homens casados são perfeitos.

Mas e quando acontece? Tipo acidente? Eu confesso que não acredito em acidentes, a gente vai atrás. Mas e se acontece? Bom, dai é sofrimento certo. Em outras palavras, você está ralada!

Mas claro, existem poréns aqui. Se o cara não é um criminoso costumaz, ou seja, se trair a esposa não é um hábito, se ele não faz isso seguidamente, e se para ele também foi um acidente a coisa é diferente. Tenho uma amiga que diz que trair é como matar, depois que se faz uma vez nunca mais se para. Porque se o sujeito já está em pecado, segue pecando. Um a mais ou um a menos, que diferença faz?

Se é a primeira vez que ele mata, o esquema é outro.

Mas uma amante está ralada, raladinha, triturada se o cara for mesmo um infiel nato. Ai minha amiga, prepare-se para sofrer.

Porque quando estamos apaixonadas, todos sabemos, a razão não ajuda.Então você sabe que vai se ralar mas não consegue sair daquilo. E o sujeito sabendo de seu afeto, vai fazer tudo para manter. Ai minha amiga só a autoestima salva, mas depois volto para autoestima.

Se você é outra na vida do cara, o que significa que você sabe que além de você o cara tem outras por ai, então o tipo de cara que ele for não faz muita diferença. Porque, provavelmente, você está apenas interessada em sexo. Mas eu confesso que não acredito nisso. Posso ter uma visão romãntica, mas acho que nunca uma mulher está apenas interessada em sexo. Pura e simplemente. Ela pode estabelecer outro tipo de vínculo com o cara, de amizade, talvez, mas sempre vai esperar que o sujeito a considere, ou seja, goste dela. Esse negócio de sexo por sexo só no filme Telma e Louise, e é preciso considerar que o sujeito no caso era o Brad Pitt, e que elas não tinham maiores espectativas, pois, em seguida elas se mataram. Então, a não ser que você tenha planos de suicidio e encontre o Brad Pitt, eu não vou acreditar muito nessa de sexo por sexo.

O que muda é que quando você é mais uma na vida do cara, ele, provavelmente é mais um na sua vida. E ai o jogo dá impate, se ele ligar, bacana, se ele não ligar tem quem ligue. Ai até funciona.

Mais minha amiga, se você for a outra e estiver loucamente apaixonada por um cara casado, a única coisa que posso lhe dizer é MEUS SENTIMENTOS, você está f*. Vai ter que estar preparada para ficar na espera, aguardando o momento da titular liberar o sujeito para que você possa tê-lo. E sim, você vai ficar com a sobra. Nada confortável, dolorido. Ficar com sobra é f*. Por mais que você me diga que ele é maravilhoso, que quando estão juntos é demais, e que ele disse que vai largar a esposa. Ele disse isso??? Provavelmente disse também que o casamento deles vai mal, que quase não tem vida sexual e blábláblá. Sinto, mas não é verdade também. Se é tudo isso e ele não foi embora ainda, então por que tipo de pessoa você se apaixonou? Alguém não muito corajoso, provalmente, ou um comodista.

Repense. Nesses casos tem só uma coisa que salva, autoestima.

Quando você estiver cansada de esperar um ligação, quando você estiver entre amigos e perceber que é a única sozinha ali, porque seu bem está com outro bem, quando você for dormir e tiver que dormir sozinha, lembrando que seu bem deve estar abraçadinho no bem dele, bom ai minha amiga, só autoestima salva.

Vá para frente do espelho, olhe-se. Você merece ficar com a sobra? Você não é boa o suficiente para ter alguém ao seu lado? Para namorar (coisa boa), dar beijinhos e beijões, dormir de conchinha, tomar chimarrão no parque e todas essas coisas boas e bobas que enchem o coração.

Sei lá, talvez eu esteja errada, e nesses assuntos não exista receita, mas tem tanta gente por ai querendo ser amada, amar e tal.

A autoestima salva sempre, porque quando amamos alguém tanto a ponto de começarmos a nos desamar. quando começamos a consentir que o outro nos magoe para ter um restinho de alguém, então é hora de pular fora. E ai só a autoestima permite.

Ser a outra, ou ser outra, o ser a mulher traída, no caso, me parecem todas situações de sofrimento. Mas enfim, a vida não é fácil mesmo, e a única coisa que nos salva é a autoestima. Vá namorar, amar quem pode lhe retribuir de forma inteira. Vá ser feliz.

Nem a outra nem outra, seja você! E quando encontrar um sujeito casado pela frente, faça o sinal da cruz, benza-se e sai correndo. Deus me livre desse tipo de mal, amém.







domingo, 25 de abril de 2010

Muda de espanto


Mas não é um espanto quando percebemos que o tempo todo estávamos cegos?

Que o tempo inteiro um véu turvava nossa visão?

Então por motivos que desconhecemos ele cai.

Cai e deixa você perplexa!

Mas o que está acontecendo afinal?

Você todo tempo achando que estava vivendo uma vida, que tinha algo especial.
Achando que estava sendo amada, que aquilo era real, porque você sentia, porque estava ali na sua frente. Era possível tocar!

E então você percebe que o tempo inteiro estava de olhos fechados.

E tudo que você viveu não aconteceu fora, mas dentro de você.

Apenas dentro de você.

E que os sons da fala eram da sua voz, que as juras de amor eram apenas o seu desejo de amor e que nunca, nunca houve alguém ali para lhe abraçar, você esteve sozinha todo tempo.
Aquele abraço foi você quem lhe deu, e quando adormeceu exausta pelo prazer, adormeceu sozinha.

Não havia ninguém lá, nunca houve.

Você então descobre surpresa que foi capaz de inventar uma vida, que de olhos fechados criou um amor.

Eu inventei você? Pergunta quase sem voz.

Ninguém responde. Não tem ninguém ao seu lado.

É realmente um espanto quando acordamos.

Para o quê? Para o nada, não existe um ontem, o hoje é apenas um véu caído e o amanhã se abre, vira então, possibilidade.

Os olhos são enganadores.

As crianças veem e na medida que crescem perdem a visão para só depois, bem depois, perceberem que ficaram cegas.

Voltar a ver dói muito, não ver, dói muito mais.

Voltar a ver é um susto e também a chave para sua liberdade.
*
*
Quero manter meu véu afastado.

Hoje estou muda de espanto.

sábado, 24 de abril de 2010

Desamparo


E não me digas que sou sensível meu amigo. Não sabes tu que meu desamparo é hereditário?

Anos de construção foi o que levei para fingir que não sentia. Muitas noites de fuga foram necessárias, tantas máscaras construi para, enfim, esquecer de lembrar de tudo aquilo que perdi.
Bem se vê que não sabes onde pisa. Tem fundo falso o chão que te sustenta. Tudo pode ruir num segundo, e sabe lá onde você vai parar.
Vai aprender que nem sempre se sai impune de tão doce tolice.
Por que alguns desamparos exigem apenas uma oração, mais nada.

Curiosidades.


Esses dias estava assistindo um programa que contava a história do espartilho, ou, corseletes. Todos sabemos que, em todos os tempos e nas mais diversas culturas, as mulheres usam acessórios para se tornarem mais atraentes. A função do espartilho é essa, embelezar.

Para alguns o espartilho é símbolo da opressão feminina e para outros significa a liberação. Não posso imaginar como um espartilho signifique "liberação", mas acho mesmo que esse não é o ponto, porque se abandonamos o espartilho continuamos escravas da indústria da beleza. Continuamos a mutilar nossos corpos, podemos dar a isso a justificativa que quisermos, mas não podemos mudar o fato de que submetemos nossos corpos a mutilações.

O uso contínuo do espartilho deforma as costelas fazendo com que os órgãos vitais mudem de lugar. O efeito desejado é o de afinar a cintura e levantar os seios.
Dizem, mas nunca li nada sério a respeito, que biologicamente mulheres de cintura fina, ancas grandes e seios fartos significam uma mulher fértil e saudável, ao contrário das muito magras ou muito gordas que indicariam pouca saúde.
Eu acho lindo espartilho. Ele pode ser usado como lingerie, com uma calça jeans, pode ser a parte de cima de um vestido de festa. Enfim, existem muitas formas de usar o espartilho, que eu adoro chamar de "corpinho".
Segundo a professora (esqueci o nome) entrevistada no programa o termo "estou amarrado em você" vem do uso e do fetiche pelo espartilho. Acho que vem dai também a expressão "ele me tira o ar", ou "fico sem ar com você".
A sujeita lá, toda amarrada, apertada, com dificuldade para respirar mas bonita. As coisas mudam de roupagem, mas no fim permanecemos no mesmo lugar. Nossos espartilhos hoje são invisíveis, mas permanecem.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Paixonietzsche.


"A melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído."
Friedrich Nietzsche

"O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor... mas através do desejo de partilhar o sono."
Milan Kundera
Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio.


Albert Einstein

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Vergonha alheia.

Confusão em blitz envolve policiais militares e desembargadora do Tribunal de Justiça
Vídeo interessante e interessante também a observação da desembargadora.
A desembargadora veio com o velho papo do "você sabe quem eu sou?"
"Que agressividade você estão, parece que estão lidando com algum deliquente".
Com deliquente vale, não é mesmo?
Mas a melhor frase, dita pelo policial. "A lei é igual para todos, ela sabe disso".
Sabe? Nossa! Se ela não sabe, então...é a velha frase "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".

Vamos de Renato...

"Que país é esse? E ainda acreditam no futuro da nação"

O filme da tarde - Sistema Prisional





Na minha locadora a locação custa 6 reais (!) e a maioria dos filmes à venda 10 reais (?). Claro que não são lançamentos, mas garimpando achei um filme interessante.
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BRUBAKER -
Um homem contra um sistema cruel
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O filme é baseado em fatos reais, e só por isso já desperta meu interesse.
O filme, de 1980, estrelado por Robert Redford, conta a história de Tom Murton que é contratado para "reformar" uma prisão em Arkansas (EUA). Para isso se faz passar por prisioneiro e vivencia por alguns dias a rotina dos presos. Com isso Tom acaba descobrindo uma rede de corrupção, violência e assassinato dentro do presídio.
O filme faz perceber que, em termos de sistema prisional, evoluímos muito pouco. Ainda estamos lidando com os mesmos e velhos problemas. Tão semelhantes os problemas, que poderia garantir ter lido no jornal da semana passada as denuncias contra os carcereiros de Wakefield, quer dizer, agentes penitenciários.
A quem serve as prisões e os homens que lá estão? A serviço de que?
No filme é claro a exploração da mão de obra do preso e os lucros obtidos pela comunidade.
E hoje, serve a quem o sistema prisional? Fica a pergunta.
O filme, atual como nunca, vale ser visto. A jornada pessoal de um homem que desafiou o sistema. Homens como ele nos ensinam que não devemos nunca perder a capacidade de indignação e nunca aceitar nenhum discurso que justifique a violência. É um bom filme para ser debatido
Quem quiser assistir e não conseguir eu posso emprestar, com a condição de que me devolvam intacto.

No Divã


Minha terapeuta aponta sempre os meus dedos machucados.

Na última sessão lhe respondi que são por causa da lavoura.

_Você lavra?

As vezes, respondi displicente.

_Não, na verdade me devoro. E escolhi os dedos para começar.

Começo por eles que são pequenos e agitados. Não param nunca!

Seu olhar implácavel continuou em mim.

Por que os olhos de espanto? Perguntei irônica.

_Esta decidido: vou me devorar inteira. Vou comer tudo e antes de terminar terei outro filho. Irei dar a luz e depois vou comer a placenta, como fazem as gatas. Depois lambo minha cria e deixo ela para o mundo. Termino então de me devorar.

O que foi? Por que a cara de nojo?

É isso mesmo, e você, nem ninguém, tem nada com isso.

Fotografia e Pesquisa em Psicologia - UFSC


Fiz um link sobre cursos, eventos e tudo de interessante que estiver acontecendo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Fallin` for you.


Esses dias ouvindo uma música da Colbie Caillat pedi ao Lucas, meu filho, ajuda para traduzir o título da canção "Fallin` For You". Ele me disse que significava "Me apaixonando por você", mas que a tradução literal seria "Caindo por você".

E ai fiquei pensando sobre essa expressão, nos também usamos isso por aqui. Por exemplo quando dizemos:

"Tenho uma queda por você."

"Estou caidinha por ele."

"De quatro por você "- de quatro supõe queda ou abaixar-se voluntariamente.

Observem, é interessante, dá para pensar um monte de coisas sobre o estado de apaixonamento. Sobre paixão e queda. Sobre apaixonar-se e cair. Sobre ir ao chão quando nos apaixonamos.

Eu poderia fazer um monte de observações pessimistas sobre o tema, mas ai veio a lembrança de outras frases sobre os apaixonados. Como quando dizemos que os apaixonados tem a cabeça nas nuvens, ou andam nas nuvens, ou sobre o fato do ser amado nos levar nas alturas.

E todas estão corretas, estar apaixonado é isso, ir do céu ao inferno em minutos.
É achar tudo lindo quando o amor é retribuído, é achar tudo horrível quando não o é.
É conhecer o paraíso ao lado do ser amado, e descobrir o fim do mundo na sua ausência.
Ficar extremamente feliz com as mínimas coisas, e ficar para morrer quando coisas mínimas acontecem.
"É o contentamento, descontente" como cantou Renato Russo.
É a angustia mais feliz de todas.
É sorrir e chorar a por tudo.
É andar a toa e sentir que se esta vivendo a vida como nunca.
É risco de vida apaixonar-se, não apaixonar-se é risco de morte.
É inverter a ordem. Fazer coisas rídiculas e achar que elas são muito importantes.

Por isso tudo, desejo a todos sempre, muitas quedas.
Que elas sejam doces e para sempre. E que de todas elas possamos sempre nos levantar melhores e mais fortes, sempre prontos para cair outra vez.

Leis necessárias.


Os legisladores inventam lei para tudo, menos para o que realmente importa.
Por exemplo, é urgente a necessidade de uma lei para as manhãs de chuva e frio.
Sendo urgente e necessário, eu criei uma.

LEI N.3.236, de 20 de abril de 2010.
Define crime contra o bem estar e a felicidade, nos dias de chuva.

Capítulo I

DOS CRIMES CONTRA O BEM ESTAR E A FELICIDADE.

Dos crimes praticados por particulares.

Art.1 Constitui crime contra o bem estar e a felicidade sair da cama e da residência nas manhãs de chuva e frio.

I- sair de casa antes das 10:00 e permitir a saída dos demais membros da família.

II- é crime não ficar deitado ouvindo o barulho da chuva.

III- não caminhar escabelado e de pijama pela casa nas manhãs de chuva e frio.

IV- não encher a casa com cheiro de café.

V- e não tomar um delicioso café com as janelas abertas vendo a chuva cair.

Pena - 3 anos de manhãs de sol e despertador as 6:00 ou trabalhos forçados nas manhas de chuva e frio, ao ar livre.

Art. 2 Dos crimes praticados pelo emprega-dor

I- é crime punir funcionários por atraso em dias de chuva e frio.

II- é crime permitir a entrada dos mesmos no estabelecimento de trabalho.

III- é crime o registro do cartão ponto antes das 10:00.

Art. 3 Dos crimes praticados pela vida.

I- É crime (muito,muito,muito grande) acordar sozinha em dias de chuva e frio e não ter a quem abraçar, aquecer ou fazer um café.

Pena ? De morte!

Sozinha na cidade.


Psiquicamente "cidade" significa ego. A parte urbanizada, populosa, com gente, regida pela lei e pela ordem.

Diferente do Id, em que circulam desejos, fantasias, o que nos pertence e não vemos. O Id é o beco escuro das cidades, fica nas periferias, lá onde evitamos ir por que temos "medo" de que algo aconteça. A periferia parece lugar sem lei. E a lei é o próprio superego. Super cidade, super centro de regras puras e leis, de onde o afeto é banido.

Depois de toda a reflexão, descobri o significado da palavra privacidade.

Priva-cidade.

Privar o outro da minha cidade. Privar o outro do meu Ego, do meu Eu.

Priva-cidade é querer estar só no seu centro.

Estar só com seu Eu.

Hoje eu quero privacidade. Hoje não vou dividir com ninguém o que circula no meu centro, no meu ego.

Priva-cidade no meu dicionário é isso.

Sabedoria de criança.


A projeção ocorre quando se projeta, ou seja, se atribui a outra pessoa nossos pensamentos, motivações, desejos e sentimentos indesejáveis.
As crianças, muito antes de Freud, intuitivamente demonstraram conhecer esse mecanismo de defesa tão comum.
Observe uma briga de crianças. Quando uma ofende a outra e a ofendida não sabe o que responder, diz " Quem chama é quem é!"
Perfeito! Quem chama é quem é! As crianças são sábias, muito sábias.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Caio Fernando Abreu, física quântica e o Menino Deus





Não li todos os livros do Caio Fernando Abreu, no entanto, dos que li Ovelhas Negras é meu preferido.

Uma coletânea de textos escritos entre 1962 até 1995. Se chama "Ovelhas Negras", pois estes textos estavam guardados nas gavetas de Caio.

Adorei os textos que aqui encontrei, assim como o nome, que muito agrada.

Para mim Caio e Clarice são, em algum lugar do espaço, irmãos gemêos.
Adoro o Caio. Adoro não, amo. Caio era meu vizinho, passou a vida no mesmo bairro que eu vivo. O Menino Deus. Se como ensina a física quântica o tempo e o espaço não existem, são construções e não passam de uma ficção para organizar a mente humana, então...então eu sou vizinha do Caio Fernando Abreu!!!
O que tem isso? Para você talvez nada, para mim, muito. Muito dos textos do Caio falam do Menino Deus, muitas das paisagens citadas em seus contos, são do Menino Deus. Quando os leio sei do que ele fala, posso ver o que ele diz.

Nasci e cresci no Menino Deus, acho mesmo que vou morrer por aqui. Do meu bairro o morador mais ilustre, sem dúvida, é o Caio.
Existem outros famosos. Paula Poeta era vizinha de prédio; o Marcelo Dourado (vencedor do BBB), estudou na mesma escola que eu; e a Dani Bollina, aquela menina bunduda do pânico eu vi nascer; áh e teve ainda um paquito da Xuxa. Mas não querendo menosprezar os demais vizinhos, para mim Caio deu ao Menino Deus um plus a mais de magia. Depois que Caio viveu aqui o Menino Deus ficou encantado.

Ele morreu no hospital Mãe de Deus, o mesmo em que dei a luz aos meus filhos. Onde ele encontrou a morte, eu encontrei a vida. Ele andou de caloi por aqui "Minha irmã Cláudia ganhou uma Caloi 10 de Natal do noivo (Jorge, lembra?), e eu me apossei dela e hoje mesmo dei voltas incríveis pelo Menino Deus(?)." Dizia ele “Mas como eu ia tentando dizer para esclarecer de uma vez por todas, e duramente: não é verdade que eu esteja apaixonado por Porto Alegre. Somos apenas bons amigos. Aliás, nem moro em Porto Alegre. Moro no Menino Deus, do qual Porto Alegre é apenas o que há em volta.(…)” ( A cidade dos entretons).

Foi aqui que ele travou sua luta pela vida contra o vírus HIV, aqui que viveu seus amores, suas dores e desesperos. Foi aqui bem pertinho.

Mario Prata escreveu uma crônica sobre a morte de Caio, disse ele:

Impossível não falar do Caio. Do Caio F. Do Caio Fernando de Abreu, morto domingo, depois de passar os últimos meses da sua vida na casa dos pais, em Porto Alegre, num bairro chamado Menino Deus, a cuidar de si e de rosas.
Todos sabíamos que ele ia acabar no Menino Deus. Mas não sabíamos quando.
[...]Onde andará Caio Fernando? Em Menino Deus, certamente. Eternamente.

Não conheço Mario Prata, mas o fato de não conhece-lo não muda minha convicção: ele está certo.

Caio está aqui. Caminhe pelo Menino Deus e você poderá entender um pouco melhor o que ele escreveu. Entender não, sentir.

Sempre me pergunto se algum dia cruzamos um pelo outro. Sei lá, como naqueles filmes "vidas cruzadas". O que isso muda para mim? Não muda muito não, mas como eu acredito na quântica, no Caio, e na permanência das coisas que vibram e se perpetuam no azul, sei que hoje, ainda hoje, Caio caminha pelas ruas do Menino Deus. Nos dias de sol posso -lo andando pelas ruas, nos dias de chuva sei que ele espia por alguma janela. Espia e inspira.

Tem nada não, amanhã vou sair e tomar um café com Caio.

Duvida?

É só fechar os olhos e abrir o coração.

Os limites do Menino Deus


Sei que na verdade não, mas na minha cabeça o Menino Deus é uma ilha. Não sou muito bom em pontos cardeais, e agora não é noite para tentar ver o Cruzeiro do Sul nem há uma agulha à mão para ser posta boiando na água (ainda que houvesse, é para o sul ou para o norte que aponta a ponta, afinal?), portanto é correndo o risco de cometer erros e arbitrariedades mis que tento cartografar: o Menino Deus limita-se apenas por duas águas, as do riacho Ipiranga ao norte e as do Guaíba a oeste. Ao sul, a fronteira confunde-se com o Morro Santa Tereza; à leste, com a Azenha.Nada disso é definitivo, eu mesmo coloco dúvidas. Por exemplo: aquelas ruas logo depois da ponte da Ipiranga, onde ficam o Teatro Renascença e o prédio de Zero Hora, são mais Menino Deus ou Cidade Baixa?
E a avenida Erico Verissimo (que é inventada, duvido que alguém lembre direito o que havia antes dela) limita ou não a fronteira com a Azenha? E nas subidas do morro, onde exatamente acaba o Menino Deus e começa Santa Tereza? Seria a José de Alencar o marco divisório? Há um ponto ainda mais delicado: a quem pertence o Parque Marinha do Brasil? Porque a Praia de Belas, como a avenida Erico Veríssimo, também é tão inventada que, feito a Holanda, é mais aterro do que terra propriamente dita. Antigamente, disso lembro bem, o Guaíba terminava (ou começava) mesmo no Menino Deus. Além do mais, não consigo levar a Praia de Belas muito a sério - sei que o que vou dizer é polêmico e pode provocar acusações de colonialismo, mas tenho que dizer: a Praia de Belas está para o Menino Deus assim como Santa Catarina para o Rio Grande do Sul... Reticências.
De qualquer forma, imagino essa ilha - e por imaginá-la, sendo eu o dono dessa invenção, posso demarcá-la como quiser e inclusive me apropriar de certos territórios mais além do imaginário. Caso contrário onde colocaria, por exemplo, aquela paineira enorme no alto de um morro numa rua que não digo o nome?Como um gigantesco tronco humano de pernas abertas enterradas na terra abaixo dos joelhos e braços abertos em galhos estendidos para o alto, o Oxóssi mais soberbo que já vi, essa paineira poderia fazer parte da bandeira do Menino Deus. Que se não é uma ilha, certamente é independente.
Há mercados super e inhos, há farmácias alo e homeopáticas, há feiras (uma ótima, só de produtos naturais, aos sábados, no Parque de Exposições, onde não se corre o terrível risco de encontrar-todo-mundo, como no Brique da Redenção), há sobretudo ruas cheias de árvores onde você pode se perder em túneis vermelhos, se for tempo de hibiscos, ou roxos, se for tempo de ipês e assim por diante. Agora é tempo de uma árvore de cachos amarelíssimos, uma espécie assim de alegoria à mais dourada das Oxuns.
Tropicalismo à parte, parece a Suíça. Sei, você vai dizer que isso também já é exagerado e argumentar que tem mendigos. Tem, claro. Mas os mendigos do Menino Deus são tão, mas tão suíços que têm até horário para bater nas portas. Aos sábados, bem na hora do almoço, sabemos sempre aqui em casa que é o Juca. Depois do jantar, que é-aquele-ou-aquela-cheirando-a-cola. Em outros dias, numa hora sempre inadequada, que é aquele-meio-enfrentativo-com-mania-de-apertar-a-mão. A hora dele é errar a hora, compreende? Mendigos à parte, já observei que no Menino Deus tanto passarinhos quanto borboletas não têm medo dos humanos. Isso quer dizer muita coisa.Mas agora me dou conta que, mal comecei a dizer o que queria, terminou o espaço. O Menino Deus é, sim, uma ilha. Pode não ser cercada de água por todos os lados, mas tem até náufragos. Só que, felizmente para vocês e para mim, isso já seria outra história.
(Publicado em Zero Hora, 21/01/1995)

Sociedade de Psicologia do RS.


domingo, 18 de abril de 2010


Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim.

Dilacerando felicidades de mentira,desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto.

É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias,me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos,ilumina o corredor por onde passo todos os dias.

É agora que quero dividir maças, achar o fim do arco-íris,pisar sobre estrelas e acordar serena.

É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito,preparar uma massa, sentir seus cílios.“Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato.

Mas e o dia de hoje?”

Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar.

Não negue, apareça. Seja forte.

Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto.

Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios,sem cobertas, sem sentido, sem passados.

É preciso que você venha nesse exato momento.

Abandone os antes.

Chame do que quiser. Mas venha.

Quero dividir meus erros, loucuras, chocolates...

Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe?

Quero acabar com as leis da física, Não nego.

Tenho um grande medo de ser sozinha.

Não sou pedaço.

Mas não me basto.
Caio Fernando Abreu.

sábado, 17 de abril de 2010


"Não sei se será possível a gente escolher as próprias verdades, elas mudam tanto. Não só por isso, nossas verdades quase nunca são iguais às dos outros, e é isso que gera o que chamamos de solidão, desencontro, incomunicabilidade. Talvez a maneira como me debato seja natural, e até positiva. É possível que eu parta daí para um conhecimento maior de mim mesmo. Então estarei livre. Acho que meu mal sou eu mesmo, esses círculos concêntricos envolvendo o centro do que devo ser. Mas só poderei me aproximar dos outros depois que começar a desvendar a mim mesmo. Antes de estender os braços, preciso saber o que há dentro desses braços, porque não quero dar somente o vazio. Também não quero me buscar nos outros, me amoldar ao que eles pensam, e no fim não saber distinguir o pensar deles do meu."



(Caio F.)

'O amor é esperto: ele sempre acha um jeito de chegar até o lugar onde mora o objeto amado. Pois não foi isso que fez a Rapunzel? Ela, presa na torre. O seu amor, lá em baixo, longe... Aí o seu desejo do abraço fez seus cabelos crescerem, crescerem muito, até chegar ao chão. E os seus cabelos se transformaram, então, numa escada pela qual o seu Príncipe subiu até ela. Um psicanalista imaginoso diria logo: cabelos são fios que saem da cabeça. Ora, os fios que nascem da cabeça são os pensamentos. O amor faz nascer os pensamentos que levam até o objeto amado.'

Rubem Alves

Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual.Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede.Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.


Charles Bukowski

sexta-feira, 16 de abril de 2010


"E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível."
Albert Camus

Essa frase foi decisiva pra mim.



"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas,
mas quando tocar em uma alma humana,
seja apenas outra alma humana."

Carl Gustav Jung

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MIMFOBIA


Ai, eu ando tãooo mexicana.

Ando muito cazuza. O que é isso?

Andar cazuza é andar exagerada, dramática, tempestuosa.

Ando com pânico de mim, como disse Millor Ferndades ando com mimfobia.

"Eu sofro de mimfobia.
Tenho medo de mim.
Mas me enfrento todos os dias".

Tenho aconselhado as pessoas mais próximas a me abandonar.

"Por favor abandonem-me enquanto podem,
abandonem-me por que sou um barco furado,
estou fazendo água, logo, logo afundo e levo vocês comigo.
Vão, vão, que eu não posso ir,
mil vezes quis me abandonar, não pude.
Saiam logo que não vale a pena.
Barco furado, está condenado, não serve para nada não,
vou virar morada de peixes, no fundo do mar azul,
é meu destino, não tem solução"

Bom é isso. Recado dado a quem possa interessar.
E, quem quiser ficar, que fique, mas não digam que não avisei.

Déficit de atenção


Seguro firme minha cabeça entre as mãos e digo para mim mesma, de forma enérgica, tudo aquilo que precisa ser lembrado. Faço isso tentando diminuir os danos do meu déficit de atenção.
Foca Andréa, foca, foca no que é importante, foca no que tu quer.
Foca, foca, foca...baleia, peixinhos, água, água-amor, deságua, invade, transforma, sede, cede, resiste, levanta, quedas, sustenta, mergulha, silêncio, abraço, adormece...laços.
Laços??
Mas o que era mesmo que eu estava pensando??
Minha atenção é um barquinho que navega sempre sozinho, que não aceita ordens, tem vontade própria, o danado.

Nunca sei para onde ele vai me levar, mas faz sempre o caminho de dentro, sempre.
A.B

terça-feira, 13 de abril de 2010

O amor acaba ou o amor migra?



O amor acaba ou migra?


Metamorfose, metamor-mofa- ou metamor-fode (ai desculpa, não aguentei!).


Gostei da idéia do Gabriel de que ele migra. Parece que sim, que o amor e a capacidade amorosa estão no sujeito in-potência , assim como todo resto. O amor sempre é mão dupla, de berço. Se as condições são boas, desde cedo, nessa relação com os cuidadores, a criança vai desenvolvendo sua condição amorosa, que é dela e sempre vai estar, mas que floresce sempre no olhar do outro.


Sendo breve, o amor migra, penso. Ele está dentro da gente e o que acontece é que, na língua psi, deslocamos nosso amor para esta ou aquela pessoa. E quando fica ruim, quando algo se quebra, nos partimos com nosso amor para trocar com uma nova pessoa.


Então quando uma relação termina, o fim não é de todo triste, por que o que nos levou a viver aquela relação foi nossa condição amorosa que não termina junto com o relacionamento.

Graças a Deus! Amém! Aleluia! Se não estaríamos condenados a uma vida de solidão .


Por que como diz Rubem Alves, amar também se aprende. E esse tipo de coisa, depois que a gente aprende, não esquece jamais.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Até o grande amor cansa!! Balzac para Balzaquianas!


A despeito do que poderia os desavisados pensarem,amor e cansaço não são incompatíveis.As pessoas cansam de amar, cansam mesmo.Cansam de amar no vácuo, no vazio, a contragosto,na marra, na mão única,com esforço, no amor à camiseta,cansam de amar quando amar é uma luta inglória,é uma sede saciada a conta-gotas.


As pessoas cansam de nos amar apesar de nos amarem muito,as pessoas cansam de nos amar quando o amor é à custa de teimosias,defeitos, desaforos, desatenções, estupidez, falhas de caráter,falta de tempo, descuidos, TPM, stress, chatice, drama, descaso,reclamações, egoísmo, omissões, negligências, filhadaputices, prioridades outras, grosserias, inaptidões, incapacidades, má administração, indiferença, cronograma insano, sacanagens, ingratidões, desídia, pouco caso, desconsideração, intolerância.


O amor suporta muito e não espera um escambo de atenção e sentimento,mas o amor tem ida e vinda, tem mão dupla,tem uma razão outra que não é puro altruísmo e desapego.Não pense que quanto mais o outro suporta,quanto mais o outro luta, maior é o seu amor.Isso é uma sabotagem imbecil de quem não se sentemerecedor ou capaz de retribuir.Pai dedicado cansa. Filho devoto cansa. Irmão parceiro cansa.Amigo de fé cansa. Até o grande amor cansa.As pessoas cansam e desamam e se perdem e vão embora e não voltam mais. Amor não é para sempre, não, não se engane. O que é para sempre é saudade.


E a gente fica triste e fica infeliz e fica miserável e fica com a vida besta e vazia depois que quem nos ama desiste, a gente fica com a vida oca, fica tudo preto e branco e a gente acha que tudo bem,que vai ficar tudo bem e a gente se engana que supera,paciência, não era pra ser,não era forte o suficiente, não era verdadeiro o suficiente,mas não fica tudo bem, não supera coisa nenhuma, não era pra ser uma ova. Nananinanão, senhor. Porque a gente também cansa da tristeza e do vazio,a gente também cansa da solidão e da miséria,a gente também cansa da infelicidade,mais cedo ou mais tarde, e aí ó, babaus, já cansaram de nós.


Portanto, não ponha o amor à prova. Não se proponha a testar até onde ele suporta. Amor não é gincana, não é rali, não é prova de resistência.Amor é pra amar e cuidar muito bem. Já chega o fato de que tem todo o resto do mundo para criar problema,para dar trabalho, para dificultar as coisas. Lute por e não contra. Lute muito, lute bastante.Mereça o seu amor enquanto ele ainda é seu e ainda está aqui.


Honoré de Balzac


Economia psíquica.

Preservando energia, só falo o absolutamente necessário, me movimento o mínimo possível, não atendo o telefone. Não estou em casa, não estou no corpo, minha mente está vazia, e o coração bate devagar.

A.B

domingo, 11 de abril de 2010

Meninas, TPM coletiva, a infância e os loucos.


Uma TPM coletiva atingiu o mundo virtual, o que, sinceramente, não é nada consola-dor. Sabe que isso me dá uma saudade incrível da minha infância? Quando fazer bolinhas de sabão era motivo de grande felicidade.
A infância e a loucura contêm o mistério do refúgio da dor, esse mistério está guardado em silêncio na capacidade de fantasiar.
O refugiar-se da dor na fantasia é condição de sobrevivência que a divina racionalidade nos rouba. O sequestro de nossa sanidade se dá pela razão e não pela loucura.
E como disse Clarice, essa santa, bruxa, louca : "amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."
Loucos e as crianças, desejados e repudiados, temidos e idolatrados.
Invejamos os loucos e as crianças.
E as mulheres em TPM invejamos? Temidas com certeza somos.
Teríamos nós a capacidade, assim como eles, de ver além do que está posto?
Não sei, mas sei, com certeza sei que, assim como eles, metade de nós é amor, e a outra metade também.
Enquanto eu ainda puder rir, sei que a esperança não partiu.

Quem tem TPM não teme a loucura.
Com certeza foram os homens que criaram os manicômios. Tivessem eles tido um único dia de TPM o mundo seria hoje um lugar melhor, e nós mulheres não teríamos sido queimadas nas fogueiras da história.




6 comentários:

Grazielly AB disse...

Caramba, a vida dói pra burro. O de carga.



Muito embora eu desconfie que a TPM paire sobre vós muito em breve (risos) esta é uma exata e excelente observação, minha querida Andrea.Caminhando pelo centro de SP vi algumas crianças deitadas na calçada, sujas, famintas, drogadas, vi adultos estressados resmungando para ninguém, vi burgueses que enganam a si... Senti uma necessidade gritante de fazer algo (desespero). As lagrimas desceram e ligeiramente tive que me conter. Afinal, ninguém entenderia porque e o que me levava a sentir aquela dor.Bjo



Gente, eu sabia que mulheres que trabalham juntas por algum tempo acabam entrando no 'cio' ou na TPM ao mesmo tempo... Será que as blogueiras tb?!?!rsBeijos!



Pois é, já ouvi falar disso, dos ciclos acontecerem ao mesmo tempo entre mulheres próximas (o tempo e o espaço são uma ficção, na distãncia, muito próximas...). Bah, gurias, não dá pq ai todas nós afundamos juntas, ou causamos uma grande explosão.Acho que a praga daquela praga pegou. Minha TPM parece eterna...credo!


TPM ou loucura??





Hahahah!!!É isso ai, Andréa: a TPM como força para uma crítica consciente (sem irracionalismo, por favor!!) e a loucura como um olhar diferente da realidade!E pior que eu to de TPM mesmo :T





Estou condenada!TPM eterna, olhar crítico e diferente sobre a realidade?
É, não me espanta que o desespero tenha tomado conta da minha alma!