segunda-feira, 30 de novembro de 2009



A.MO.R





Minha natureza...


Sou chama alta
Incendeio, viro pó
Voo no vento
e caiu água

Desabo em chuva, trovoada
viro enchente
Sou tudo e nada

Retomo o curso
saio da estrada
leito das águas
apaziguadas

Sou flor nutrida
alimentada
Sou beira do rio
sou tudo e nada

Sou pedra bruta
e fortaleza
Sou violência
e sou beleza.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Do que você tem medo?


Eu tenho medo do escuro. Morro de medo do escuro. Odeio ter que dormir sozinha.

Na verdade tenho medo do que o escuro guarda.

E vai que aparece um espírito! Claro que não acredito em espíritos, mas sei lá, espíritos são como um grande amor, a gente só ouve falar, nunca viu nenhum, mas segue na esperança de encontrar.

Grande amor?Claro que eu não acredito! Mas vai que de repente aparece?

A gente não acredita, mas é melhor se prevenir, porque susto já matou gente boa. É...pois é.

Gizele-jaca.

Fiquei pensando Gizele, na aspereza e no nosso encontro.
E em todas as nossas meias-conversas, que nunca são inteiras por falta de tempo.
De como você inverte as falas para melhor se entristecer.
E de como, quando você faz isso, preciso segurar na tua mão de forma firme e doce e te repetir pausadamente, que não é isso Gizele, você entendeu errado.
Das suas verdades duras, quero que saiba, que são imprescindíveis.
Que você sem elas, é só metade, é quase, e quase você sabe nunca me interessou.
Que é desse encontro, frente à frente, áspero e doce de que somos feitas.
Nascemos ásperas Gizele, assim quis a vida, e disso ninguém nos salva.
Nascemos jacas maduras e desconfiadas. Ásperas, doces e suculentas, claro.
Nosso amor é rude, não sabemos ser rosas, mas sabemos ser fortes.
Eu não quero amiga-rosa, eu quero amiga-jaca.
Não acredito em gente rosa.
Não acredito em gente feliz.
Esse tipo de gente é quase, e quase é morno, é médio. E você sabe, nossa inteligência não permite.
Em todos os encontros o que tem valor, para mim, são os encontros-jaca.
Você é uma das melhores jacas que já encontrei!
Dura e áspera, porque se sabe doce e frágil por dentro.
E de tão frágil a jaca pecisa construir toda aquela aparência por fora... .
Uma jaca é densa, afiada e pesada, e quem quiser comê-la Gizele, tem que necessariamente dar conta dessa aspereza, desse aspecto duro e nada delicado, que toda jaca possui.
Nosso núcleo é doce e suave, e isso só descobre que tem inteligência suficiente (ainda bem que são poucos), e claro, tem também os desavisados que nem desconfiam que uma jaca certeira pode ser fatal.
Estamos na vida Gizele, inteiras, fragmentadas
Nascemos jaca madura e nosso amor é afiado.
Um amor pra quem se atreve. Amor desconfiado.
Somos atrevidas Gizele, e esse é nosso maior valor.
e eu te amo, sua jaca!

Musiquinha pra você cantar ai no trabalho...
Corta-Jaca (Chiquinha Gonzaga/Machado Careca)

Neste mundo de misérias quem impera é quem é mais folgazão
É quem sabe cortar a jaca nos requebros de suprema, perfeição, perfeição
Ai, ai, como é bom dançar, ai!
Corta-jaca assim, assim, assim

Mexe com o pé!
Ai, ai, tem feitiço tem, ai!
Corta meu benzinho assim, assim!
Esta dança é buliçosa tão dengosa que todos querem dançar
Não há ricas baronesas nem marquesas que não saibam requebrar, requebrar
Este passo tem feitiço tal ouriço
Faz qualquer homem coió
Não há velho carrancudo nem sisudo que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre no Flamengo por certo se há de render
Não resiste com certeza este jeito de mexer ---
Sou gostosa
Que dá gosto de talhar

Sou a JACA saborosa que amorosa faca está a reclamar para a cortar
Ai, que bom cortar a JACA, sim, meu bem, ATACA!!!

Não há grandes dores em grandes arrependimentos, nem grandes recordações.
Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores.
É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida.
Há apenas uma certa maneira de ver as coisas e ela surge de vez em quando.
É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida.
Isso constitui pelo menos um álibi para o despero sem razão que se apoderam de nós."

ALBERT CAMUS

Inteligência é o maior afrodisíaco que um homem pode oferecer




Nem de longe é a beleza de um homem que encanta a mulher. Para a sorte de vocês (ou azar, vai saber...), nosso barato é diferente, e pode ser definido, entre outras coisas, como "virilidade". Essa definição tem muito pouco a ver com coçadas supostamente discretas nos testículos, cuspidelas na sarjeta ou exaltação do sistema nervoso diante de 22 homens suados correndo no gramado, imbuídos do espírito de encaçapar a gorduchinha.Vai muito além da testosterona exacerbada.Tem a ver com autoconfiança, sempre.E com perspicácia, qualidade muito rara num homem.


Ou você pensou que seria fácil? Não ligamos para barriga, careca ou pneuzinhos, até porque sabemos muito bem que nada disso atrapalha, tanto quanto o seu oposto pode ser absolutamente desprovido de encantos se não vier acompanhado de um perfil psicológico substancioso.


Mas o que afinal de contas isso quer dizer, nunca te explicaram. Então lá vai. Voltemos à virilidade. Acho que poucas coisas nesta vida são mais eróticas e provocantes do que a inteligência. E quem a tem também possui senso de humor – porque somente os inteligentes não levam nada muito a sério e sabem se divertir mesmo com as intermináveis chatices cotidianas. Então temos inteligência e senso de humor, que somados à malícia (outro atributo dos neurologicamente privilegiados) arrebatam as mulheres e tornam um homem ainda maior aos nossos olhos. Porque não basta pregar a gente na parede. Isso todo ser munido de um bom falo é capaz. É preciso, para se diferenciar da varonil multidão, despertar nosso impulso primitivo racionalmente ativável.


ETERNAMENTE ALUNAS. Vocês olham uma mulher e pensam: "Meu Deus, que peitos, que nádegas, que cinturinha escultural, que boca mais lasciva...", e já começa o devaneio e o desejo de abater. Nós, não. É impossível uma mulher (minimamente inteligente, claro) olhar para um homem esteticamente interessante e, sem nenhuma conversa, desejar ser invadida. Não. Eis aqui a diferença: nosso desejo de invasão não prescinde do intelecto (você já deve ter presenciado o olhar admirado e sensual das alunas de um grande professor). É preciso passar primeiro pela porta da razão para chegar à porta da alegria. E quanto melhor for o instrumento pensante do sujeito, maiores as chances de acolhida de um outro também interessante e mais mecânico agente.


Porque mulher gosta mesmo é de ser surpreendida, e isso só acontece quando se depara com alguém mais esperto do que ela. Todos sabem o jogo que estão jogando, esse interminável gato-atrás-do-rato que motiva nossa vidinha. E é preciso reconhecer as suas regras, o que requer maturidade. Homem que baba demais, no chance. Os que bajulam e não convencem, também. Os cafas, cruz-credo! A gente tem olho clínico para eles e passa longe quando os vê. Os demasiadamente (ou precipitadamente) românticos têm grande chance de morrer na praia, porque acaba o desafio. Os posudos e pretensiosos não duram mais do que uma noite. Restam então os inteligentes. Estes, sim, sabem do que somos feitas. E sabem que, por trás de toda empáfia, vaidade ou sedução, está um bichinho indefeso em busca de acolhimento, louco por um colo. A virilidade está nisso, na consciência masculina de que não somos assustadoras nem lascivas, mas apenas mulherzinhas assustadas e ávidas por um olhar que nos descubra. E nos devore, de preferência.




Autoria dada a Kika Salvi.

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dois do mesmo.



Era seu melhor segredo

dele nada tinha a dizer.

Eram dois, no espaço do invisível

Dois do mesmo,

e se sabiam.

Qualquer lugar.





Bilhetes comprados.
Seguro forte a tua mão.
Chego junto
Fecho os olhos
O trem já vai partir
na direção de "Qualquer lugar".
*
Lá,
O medo mora lá em "Qualquer lugar"
ao lado das coisas boas
e de todo o risco.

*

Forte.
Me abraça forte.
O trem já está partindo.
Me aperta firme no teu peito.
Eu sei, tu sabes
A viagem vai ser boa.

*
"Qualquer lugar"
você e eu
num dia de sol.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Construindo a igualdade de gênero.

Construindo a igualdade de gênero.
Gênero é algo construído dentro de uma sociedade. As pessoas nascem com caracteristicas biológicas, masculinas ou femininas, mas para a sociedade, existem comportamento que são considerados coisa de homem e outros de mulheres. Se um homem dança balê, ele pode ser considerado afeminado para a sociedade, mesmo tendo as caracteristicas de um.
Para construirmos a igualdade de gênero, teremos que ver onde essa luta começou, na França, e não faz muito tempo. Por várias décadas as mulheres não tiveram muita escolha, tinham que casar e ter filhos. Quando estes chegavam, a mulher tinha que cuidar deles e da casa. Já o homem como não engravida, estava livre, e então tomou o mercado de trabalho. Por isso, a mulher ficou em desvantagem e hoje em dia ainda existe muita desigualdade e preconceito por parte dos homens.
As coisas começaram a mudar com a chegada do anticoncepcional, a mulher poderia optar então em ter ou não filhos, não tendo filhos ela poderia estudar e trabalhar, o que não podia fazer antes. O anticoncepcional foi importante para as mulheres se libertarem, mas elas fizeram mais, foram às ruas denunciar a opressão masculina, foi ai que surgiu o feminismo, uma revolução que quebrou a imagem de "mulher dona de casa, cozinheira e boa mãe". Essa revolução se refletiu em muitos lugares do do mundo, inclusive no Brasil.
O nosso país mudou muito nessa questão, há duas, três gerações atrás, a mulher ainda era vista como dona de casa, fazia cursinhos para cozinhar, passar roupa, arrumar a casa, etc. Hoje ela trabalha, estuda...Podemos perceber a evolução no Brasil nesta área se o comparamos com países como a Índia e Japão, que seguem a risca as tradições que oprimem a liberdade das mulheres.
Bom, aos poucos a mulher deu seus primeiros passos no mercado de trabalho conseguindo empregos e também começando a cobrar a participação do homem nos afazeres domésticos. Em muitos lugares a mudança ocorreu. Hoje em dia podemos ver muitas mulheres formadas, trabalhando e ganhando seu dinheiro.
A mulher sempre foi muito forte, desde o início das primeiras civilizações. Quando o homem ia caçar, quem cuidava da aldeia e da prole era ela, portanto, para a igualdade de gênero existir, temos que começar percebendo que todos temos valor.
Esta na hora de entendermos que todos nós, independente do sexo, somos importantes na sociedade e merecemos respeito. Não lutamos apenas pela igualdade entre homens e mulheres e respeito as suas diferenças, lutamos pela igualdade e respeito de pessoas.
*
*
Lucas Beheregaray Seben.
*
*
Esse texto meu filhote de 15 anos produziu na escola e foi selecionado para participar do Concurso Nacional de Redação do CNPQ(http://www.igualdadedegenero.cnpq.br/).
Claro que fiquei super orgulhosa, não só pela seleção, mas pela reflexão dele sobre as mulheres e sua força. É muito bacana sentir e ver crescer sementinhas que plantamos, as vezes sem nem mesmo saber. É bonito ver um menino se tornando homem. Meu menino.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Minha loucura,Gisele e os brotos de trevo..

Quer saber, eu não ando bem, cada vez mais estranha, cada vez pior.
Ou seria melhor? Não sei ao certo, mas também não importa.Nunca me importei.
Gisele diz que ninguém mais estranha minhas esquisitices. Disse sorrindo "tu sempre foi meio louquinha". Gisele tem o hábito de dizer sorrindo certas verdades ásperas, para logo ficar com ares sérios e pedir desculpas. "desculpa, sou tua amiga, tenho que te dizer". Olha Gisele, eu sei, sou esquisita mesmo, sempre fui e vez ou outra as pessoas me diziam isso. Algumas vezes isso era uma acusação, outras elogio, de qualquer forma nunca me importei muito. Vários dos meus colegas de mestrado me acusavam de loucura. G.B com frequência.
Na maioria das vezes minha loucura passa despercebida. Afinal de contas não me encaixo muito na figura da louca. Meu cabelo loiro me empurra mais para burrice, e meus decotes generosos distraem a torcida da maioria das minhas esquisitices. Afinal o que realmente não se perdoa, nesse nosso país machista, é a feiura. Loucura e derivados são melhor aceitos, só não pode ser feio e fedorento, porque ai tua loucura será encarcerada. O Brasil tá cheio de gente louca, em todas as áreas, em todas as classes e de todos os tamanhos, só não pode ser feio, pobre e fedorento, que ai você sabe, ninguém quer chegar perto.
Mas voltando a minha loucura. Bom estou péssima, mas de forma geral me divirto. Ainda.
Meus hábitos alimentares estão cada vez mais estranhos, e nas festas de família todo mundo fica me regulando. Na última aqui em casa tirei todas as salsichas do cachorro-quente, do meu claro, e coloquei brotos de trevo. Alguém já comeu brotos de trevo? Nossa é muito bom!
Tá mas até ai tudo bem.
Tenho outra mania péssima, que desenvolvi na 6a série. Mania do autodivertimento (é junto agora ou o divertimento pessoal é dividido?), bueno, não importa. Auto?divertimento é aquilo que faço nos meus dias de tédio. Geralmente imagino algo absurdo de ser dito, imagino a cena e me mato de rir. Outras vezes, nos dias crônicos, coloco em prática os absurdos. Por exemplo, a primeira vez que fui parada em uma barreira policial, veio o guarda todo sério pedir minha carteira e quando ele chegou eu disse pra ele "ai seu guarda, estou tão emocionada. Essa é minha primeira barreira policial, e a primeira blitz a gente nunca esquece"e outras coisinhas mais... Claro que o cara ficou perplexo me olhando sem conseguir dizer nada, e claro que quando sai dali me matei de rir. Alegrei meu dia, mas o fato é que nem eu sei porque faço essa coisas. É um péssimo hábito de ser engraçada, na linha do ridículo mesmo.
Minha última é que agora fico pensando palavras. Isso mesmo, tudo que termina com DOR e AÇÃO (Lacan iria me amar, mas isso já é outra história) dor e ação, doração, adoração...STOP!
Meu cérebro anda terrível. Dai fiquei em dúvida sobre uma palavra, "detrás", polêmica ninguém sabia se junto ou separado e lá fui eu para o dicionário. Ok, junto. E agora o que ando fazendo?? Lendo dicionário, claro! Isso é quase grave.
Sabe, eu só não quero ficar chata, mas louca eu não me importo muito. Me importo um pouco apenas pelos meus filhos, mas antes louca que deprimida. Eu digo isso sempre para o de 15 anos, mas pela cara que ele faz eu acho que ele preferia uma mãe mais deprimida.
Sei lá Gisele os caminhos que minha loucura me levarão. E não precisa pedir desculpas, tu sabes que eu sei dessas tuas "tais verdades que precisam ser ditas". Eu só queria mesmo que você fosse me visitar, bom você sabe. É que minha sanidade é inconstante, e que no fim das contas só faz sofrer a mim. Só te peço que não permita que eu ande feia por ai, ou deixe de usar meus perfumes, porque dai tu sabes, me excluem de vez e não poderei mais usar o computador ou enfeitar meu prato com brotos de trevo, que sempre me lembram espermatozóides ( procurem no mercado e vocês irão concordar comigo, verdes e grandes, mas espermatozóides). Enfim Gisele, era isso, tenha uma boa terça e saiba que amanhã estou na estrada, cantando e falando sozinha todo o trajeto.
Um beijo. Um não Gisele, dois beijos aquarianos em você.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Inversões da modernidade e a vaidade.







Enquanto umas querem crescer antes do tempo, outras não querem crescer de jeito nenhum!



O mundo está ao contrário e ninguém reparou.

Dicas bizarras de beleza...


Minha dica de beleza é a seguinte...
Na academia você deve malhar a parte da frente do corpo, a detrás está definitivamente perdida. E, afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente. Eu não tenho olhos nas costas, portanto não posso avaliar a situação da parte traseira do corpo.
E lembre-se a primeira impressão é a que fica, por isso, NUNCA, em hipótese alguma vire-se de costas para seu pretendente antes de ter CERTEZA que ele já está apaixonado por você. Porque quem ama o feio, bonito lhe parece!

Pensamentos bizarros sobre a modernidade - silicone.

A geração silicone vai morrer, natural, e vai provocar uma situação interessante. No futuro os coveiros vão abrir o caixão e lá vai estar o esqueleto, ou suas sobras, e aquelas duas esferas circulares endurecidas bem no meio do caixão. O coveiro vai entregar para família a caixinha com os restos mortais e uma sacolinha a mais contendo o silicone. Você já pensou nisso? Além, claro, de representar a resistência do feminismo. O coveiro abre o caixão e sabe, de cara, "aqui jaz uma mulher". Mulher até depois da morte.
E caso a sujeita seja cremada, seus lindos peitos irão explodir! Sim, no momento em que o corpo queima o silicone explode, pois possui um derivado do petróleo...pois é.

terça-feira, 10 de novembro de 2009



Dobro-me em dores
na tua ausência
Este corpo febril
que já não sente.
*
Resignada
rasgo meu ventre
com as mãos em sangue
Te entrego este útero em contração.
*
Um feminino que morre
em agonia
Dilacerado...
*
Cego meus olhos
que já não querem ver
Arranco estes seios
que já não servem
*
Feminino que morre
em lenta agonia
*
Corto pedaços
destes lábios mortos
Carne rasgada
nas minhas pernas nuas.
*
Dilacerada
lavo-me na dor
Feminino que morre
em lenta agonia...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Novo livro de Luis Alberto Warat

Peguei emprestado lá do blog do Alexandre...
Alinhar ao centro
"Saiu o novo livro de Luis Alberto Warat. Tive o prazer de fazer um dos prefácios. O outro é do Albano Pepe. O livro é especial e apresenta um novo momento da fantástica vida dele."

domingo, 8 de novembro de 2009


Meu corpo consumido
nesta longa saudade
Do teu corpo, amor
que me traz vida.

Deste corpo que só pulsa se te sente.
Que não tem sabor
sem tua boca, sem teu suor,
tua saliva.


Toca meu rosto
com tuas mãos carinhosas
E faz meu coração
bater outra vez.


Percorre suave
os contornos do meu corpo
que ganha forma
no encontro do teu olhar.


Deságuo inteira
meu amor nesta saudade
E fecho os olhos
para poder te encontrar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

*
*
OUTUBRO NEGRO PASSOU...
*
***
*

Pensamentos bizarros...bizarros pensamentos.

Costumo ter pensamentos estranhos, coisas esquisitas mesmo...e ontem fiquei pensando na palavra como representante de algo e de como muitas vezes a palavra diz exatamente aquilo que queria dizer. Entendeu? Bom, explico...

RocAmbole: não te parece uma palavra que diz de algo que vai se enrolando todo?
Soletre e perceba, a boca enche de ar e nunca fecha, como se houvesse um ovo na boca.
Poderíamos dizer assim quando achamos alguém muito enrolado, "o fulano é muito rocAmbole", ou enamorados "eu queria me rocAmbole toda em você".
Sapato: já sapato parece representar melhor um chinelo, porque sapato dá impressão de coisa livre e que salta. Fale sapato e perceba como sua boca fica saltitante. O "to" talvez poderia ser substituído por "ti",ai saltava mais, pois "to" dá tom sério demais a palavra.
Mondongoa perfeita tradução sonora e escrita do que é um mondogo, esse negócio horroroso de se comer. Por exemplo, mondongo não poderia significar "amor", imagina um sujeito lhe dizendo todo romântico "Meu "mondongo", eu te "mondongo" tanto. Credo!

Língua: para pronunciar a palavra língua,é necessário usar bastante a língua. Observe. Quando você fala "lin" sua língua bate no seu da sua boca, atrás dos dentes, e o "gua" faz aquele som fluido de "agua" fluída e elástica como uma língua molhada deve ser.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O nunca mais é o que me atormenta. E essa falta que teima em doer.
Trinta dias e você ainda não voltou.
Trinta dias de falta e uma casa mais vazia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cabaret Macunaíma - Buenos Aires.


Fico sem palavras para definir o que foi o "Café Macunaíma" de Buenos Aires. Todo os momentos com o grupo foram especiais, e o Café Macunaíma, foi o grande final. O Luis tomou o centro da cena para dizer o uma frase que me marcou "O Café Macunaíma é a forma de resgatar o corpo que o Direito me roubou", a idéia geral da frase é esta. Fantástico! Aquilo tudo que o Direito captura... O café é essa grande proposta de resgate da sensibilidade.
Uma proposta de resgate que vai muito além do Direito, sem dúvida, é um resgate do afeto enquanto sociedade. Precisamos deixar de chafurdar na violência e tirar do altar da modernidade essa racionalidade desprovida de afeto. Em que momento começamos a acreditar que razão e sensibilidade não caminham juntos? Em que momento passamos a acreditar que sensibilidade é menos?
Muita coisa aconteceu por lá, e eu sempre lenta fico um tempo processando as informações e os sentimentos...Quando o Luis dizia que nas escolas da magistratura deveria ser ensinado dança, não compreendia bem o que ele queria dizer. Você confiaria em alguém que não consegue tirar os sapatos?? E em um juiz com capacidade afetiva embotada? Um juiz de rala sensibilidade? É um risco imenso ser julgado por alguém assim.
Bueno, em uma das nossas dinâmicas a Marta iniciou pedindo que todos tirassem os sapatos e os homens as gravatas.
Pós dinâmica analisávamos as resistências dos sujeitos. Veja, resistência, nada mais é que mecanismo de defesa do ego, o que significa que ela está lá a serviço de algo. Está lá para proteger o pobre ego, portanto se resistem algo buscam proteger e olhando desta forma não devemos "atacar" de cara o sujeito que ali se apresenta. O processo deve ser algo como um desfolhamento gradual, como os realizados em terapia.
Na nossa conversa perguntei para Marta: Marta você sabe o que pede simbolicamente a estes sujeitos?
Vejamos, simbolicamente o que ela pede de cara os sapatos e as gravatas poderia ser assim traduzido: por favor me entreguem seus pênis senhores professores, advogados, juízes e derivados. Hahaha, sim desculpa, não sou eu que digo isso, quem diz é o Freud e o Lacan!
Você do direito que está lendo isso agora sabe, mais que eu, que estes homens não podem ser CASTRADOS assim de cara! Que ninguém quer entregar seu pênis assim, de primeira.
Sim castrados pelo pedido de um feminino ameaçador, que fica lá propondo maior capacidade afetiva em troca de seu pênis-poder.
O que vale o risco é que o resgate da sensibilidade viabiliza resgate da criatividade banida do mundo do Direito.
O Jung tem uma frase certeira "O CONTRÁRIO DO AMOR NÃO É O ÓDIO, É O PODER".
Claro que o grupo de Buenos Aires entregou sem problemas porque o clima era outro. E o "Café Macunaíma" aconteceu no melhor estilo portenho, carregado de afeto, intensidade, sensibilidade e criatividade.
O inusitado, não tínhamos um lugar para realizar o café e uma pessoa do grupo ligou para uma amiga, que não conhecia absolutamente mais ninguém do grupo, e que aceitou nos receber em sua casa, detalhe éramos uns 30.
A pergunta que atravessou a noite : o que é o amor?
Minha contribuição no café foi uma poesia,
Recitei acompanhada pelos sons da capoeira (Abdalla no violão) e pela cena do jogo de capoeira (Eduardo e Marta, ou Carmem e José, como queiram) ficou LINDO, segue:
O jogo amoroso ou a dança amorosa?
No jogo um ganhador e um perdedor.
Na dança dois movimentos e uma vitória.
Na capoeira uma dança, um jogo.
*
Amor é capoeira!
Luta e ternura
Confronto e prazer
Dois e um.
*
Passo? Compasso.
Ritmo de luta e laço.
O amor é capoeira.
*
O corpo?
Um gozo
De luta e de laço.
O amor é capoeira.
*
O olhar?
Contato. Ameaça.
De luta e de laço.
*
O cheiro?
De guerra.
Movimento. Enlace
O amor é capoeira.
*
E puxa?
Repulsa.
Pega e invade.
Movimento de luta e de laço.
*
Calor e pele.
Suor.
De luta e de laço.
O amor é capoeira.
*
É vida?
É morte?
Encontro e perdição.
O amor é capoeira, luta e laço.
Contradição!

Luis Alberto Warat.


Eu já havia ouvido falar que ele tem o poder de transformar as pessoas. Já havia ouvido também que ele era genial e apaixonante. E assim, distraída fui me aproximando e descobri que ele é mais, muito mais que isso. Que além de especial, ele É aquilo que escreve. E isso para mim é fundamental, ser congruente. Congruente com a vida.

Quando senti que ele estava chegando na minha vida, para ficar, senti também os ventos da mudança. Mudanças de vida. Como professora, psicóloga, e principalmente como pessoa.

Meus sentidos não me trairam, essa sintonia, tudo que dizemos sem dizer e o quanto ele me (re)conhece sem que eu nem mesmo saiba...Ele sabe de mim sem que eu precise dizer nada!

E me fez descobrir coisas lindas em mim. Me fez descobrir que sou sensível e que faço poesias.

O que mais se pode dizer para alguém que nos faz descobrir coisas tão bonitas? E ainda me inspira a falar de amor.

Luis, como diz a música, "eu tirei a sorte grande quando te encontrei".
Fui muito bom estar com você no seu aniversário.

Muitos besitos, muitos.